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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Meu precioso amigo

Quem será meu melhor amigo?
Nos momentos bons e maus
Sempre posso contar contigo
Tu nunca me deixas mal.
Sei que, às vezes, coisas faço
Que te deixam em descompasso.
Quero de ti bem cuidar
Porque sei que nunca me irás faltar.
É contigo que converso
Que divido sonhos, traições,
As alegrias, as tristezas,
As mágoas e as ingratidões.
Apenas uma coisa lamento,
Não podes falar comigo
E a todo e qualquer momento
Dar-me um conselho amigo.
Falta-me a tua opinião
De que, às vezes, tanto preciso
És, meu CORAÇÃO,
O meu tão precioso amigo!
Sueli Barbariz

Um brinde a vida

Busco nas lembranças um cantinho...
Um lugar qualquer chamado esperança
A última gota de orvalho da madrugada
Já caiu sorrateira em meu caminho
Se fez oceano tal sal das lágrimas
Derramadas pela alma menina, tão sentida...
Sigo porém feliz a descortinar o que o destino
Menino matreiro quiser me reservar
E seja bem vindo novo sorriso, novo caminho
Não temo o novo nem o velho tão pouco
Só temo o nada, o vazio e o frio do vácuo
Do rastro deixado por quem não sabe amar
E quando este meu lado sombrio se assanha
De sobressalto se acanha, e volta sorrateiro
Ao leito a dormir e em inércia permanece
Prossigo dançando nos bailes da vida
Esta mesma vida que hoje brindo
Ao som de um bolero e com vinho tinto.

Silvana Cervantes

Purificação

A janela aberta, cortinas esvoaçantes
Vagamente adormecida e desabitada
Desperto unicamente para mim
Coração em descompasso dá espaços
Outra noite, mais um sábado no meu quarto
Paredes e camas, lençóis em desalinho
O desejo do meu peito, sufoco do abandono
Cega meu olhar expurga da minha alma
Um tempo...minutos de vazio e solidão
Tormentas ante a noite tão sem fim
Outra que te rouba o corpo
Outra que te fere e magoa
Outra que bebeu teu gosto
Outra que deixas entrar onde eu não posso
Que te marca e arranha te come e cospe
Te esmaga no peso do corpo nu
Um tempo, um segundo para mim
Superação desta violação infame
Me purifico até cansares de te enganar.

Rose Mary Sadalla

Quero

Quero um dia inteiro de sol.
Quero toda a força da chuva
caindo no coração.

Quero saciar meu corpo e esgotar minha alma,
para depois
esgotar meu corpo e saciar minh'alma.

Quero saciar o insaciável,
esgotar o inesgotável,
atingir o inatingível.

Quero esconder minha face,
e revelar ao mundo meus segredos.

Quero o êxtase poético,
livrando-me das correntes
que prendem meu pensamento.

Quero aquele resto de gim
que deixei no copo por cautela.

Quero a paz,
eterna esperança
que a chuva traz.

Renata Paccola

O que é a poesia

O que é a poesia
Senão o grito inflamado
Que na garganta ficou engasgado?
A covardia de quem não ousou,
Teve as palavras na boca
E não as pronunciou.
O que é a poesia
Senão o choro contido
De quem sofreu por ter vivido?
A confidente das fraquezas,
Medos, desejos e tristezas.
O que é a poesia?
A ira, a dor, o rancor,
A alegria, a saudade, o amor.
É a expressão da alma,
É se desnudar do véu,
Pois escrever é sentir no papel.

Renata Mentzingen

Auto-retrato

Auto- retrato
Tímida? Eu? Não sei se sou
Sou tímida na intimidade
Recolhida neste mim mesma
tão só; sem exterioridade.
Sou de mim para mim, comigo
Espécie de ego encerrado
É escuro qualquer baú
quando no seu canto fechado.
Sou tímida e temerária
Mas sou franca, descontraída
Esqueço que estou num palco
Na multidão, gozo a vida.
O meu riso escancarado
Sei - às vezes, é estridente
Mas eu prefiro estridência
A um só canto lamentoso
Habituem-se, pois, comigo
Eu preciso apenas viver
Se eu sou mais feliz por fora
Não tentem, pois, me apreender!
Está nos Direitos Humanos
O meu direito de assim viver
Sou tímida? Sou audaciosa?
Será que tudo isso chego a ser?
Ou eu sou apenas eu
Tentando,
nem mesmo eu ser.

Regina Souza Vieira

Espaços secretos

Em minha alma há um espaço escondido
Que abriga um desejo singular
Há momentos em que eu o sinto perdido
Por entre as vontades, tristonho, a vagar...
Minha alma o reconhece
Desde outra dimensão
Em sua solidão jamais esquece
O sabor da mais intensa ilusão...
Há que se perpetuar pela eternidade
A docilidade que o envolve ternamente
E há que se perder por entre os anéis da idade
A fragilidade que o conserva intermitente
Em minha alma há um espaço proibido
Onde vive aprisionado um duende...
Alegre, infantil, quase atrevido.
Mas que ninguém, jamais o compreende...
Minha alma o acolhe com ternura
Alimentando-o em sua prisão
O seu confinamento é uma tortura
A derramar toda amargura,
Em meu próprio coração.
Há que se criar uma brecha no tempo
Por onde ele possa, finalmente se expressar.
E há que se permitir ao desatento
Um vão momento para se libertar...
Em minha alma há este duende a desejar
Um vôo aos pés do Cristo Redentor
Há um espaço vago, que teima em pulsar.
Vibrando com loucura o meu amor
Priscila Coelho