Atravessa ruas
na calçada tropeça
sem pressa
destino incerto
qualquer lugar
é lugar de chegar
sabe o nome das ruas
o seu, nem lembra mais
no mundo inteiro
não tem morada
nada mais tem
vai onde quer
vida sem destino
ja houve desatino
segue o tempo seu ritmo
ela pelo mundo
sem rumo
Adelia Einselfeldt
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Outono
A força luminosa do outono
Na natureza e na vida,
Serenidade.
Corpo e alma livres,
Comungando a paz,
Sensualidade.
Desejos saciados, libertos,
Buscando outros outonos
Dispersos.
Esperas, lembranças,
Saudades.
Claudette Grazziotin
Na natureza e na vida,
Serenidade.
Corpo e alma livres,
Comungando a paz,
Sensualidade.
Desejos saciados, libertos,
Buscando outros outonos
Dispersos.
Esperas, lembranças,
Saudades.
Claudette Grazziotin
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado para mulher,
esta espécie ainda
envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma
beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto
escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, funso reinos
dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adelia Prado
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado para mulher,
esta espécie ainda
envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma
beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto
escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, funso reinos
dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adelia Prado
Vou morar no facebook
Tempos atrás eu conversava com alguém que gosto muito e aprendi a admirar, nestas longas conversas regadas a cerveja e dramas filosóficos comentamos sobre o local ideal para morar. Eu um rapaz interiorano, meio caipira e simples demais falei de quão bom era morar em Corupá porém ela me falou o seguinte : "Eu sou meio cigana, não consigo ficar muito tempo em um lugar apenas... Meu pai quando eu era adolescente falou que ia comprar um trailer, então falei a ele que se comprasse iria morar com ele ... penso que seu um dia eu tiver uma casa, vendo e vou morar de aluguel apenas para poder me mudar mais vezes.." E assim ficou no ar nossa conversa sobre onde morar. Com o passar do tempo este pensamento ficou em minha cabeça: Onde morar?? E com o passar do tempo descobri o local ideal para morar, vou morar no PLANETA FACEBOOK!!
Ah! O Facebook é o local ideal para morar, não consigo pensar em lugar melhor pois todos no Facebook são politizados, um povo consciente sobre seu governo, não vendem voto jamais, admiram professores e todos respeitam leis de transito! No Facebook todos acordam de bom humor e já pela manhã leem Clarice Lispector, divagam sobre Aristóteles, discutem Nietsche e vivem os ensinamentos de Gandhi, mesmo que isso pareça paradoxal! Neste local chamado Facebook todos amam os animais, cachorrinhos, gatinhos, minhocas e lesmas, como são fofas as lesmas na parede junto com as pererecas lindinhas, sim quando moravam na terra prendiam os animais em cubículos, as vezes umas boas palmadas e alguns até abandonaram na frente de um restaurante cestos de gatinhos mas, isto foi em outro planeta, não no Facebook!!
Este Planeta é incrível pois por mais que você conheça a pessoa quando ela muda-se para o "FACE" torna-se loira, magra e de olhos azuis . Mas claro, não todos, alguns continuam gordinhos mas estes são super felizes com sua forma física mesmo que na Terra antes da conversão você lembre deles na farmácia desesperados comprando propelente ,zantrex-3 e outros mas neste novo planeta ninguém vai te criticar e você e lindo da maneira que for! E meu amigo, no Face todos são fieis, casais se conhecem hoje, apaixonam-se amanhã e querem viver juntos para o resto da vida e ainda vão declarar isto para todo mundo! Uma das melhores coisas do Facebook e que lá ninguém gosta de funk, somente musica com "conteúdo", todos são contra o consumismo desenfreado e modinhas temporárias, ver a lua no céu falar sobre estrelas e o quanto é bom proteger a natureza reciclando todos os dejetos e jamais falar da vida alheia isto com certeza torna o planeta maravilhoso!
Mas penso, se todo mundo que vai morar no planeta Facebook é daqui do planeta Terra por que aqui não é assim?? Por que não transformamos o local que moramos neste maravilhoso paraíso? Por que não começamos realmente a adotar animais, regar flores e amar o próximo? E realmente alguém já leu Clarice Lispector? Por estas e outras que penso que o Facebook deveria se chamar Hipocritabook, onde todos inclusive e principalmente este que vos escreve, tem seus momentos de hipocrisia tentando mostrar ao mundo o quanto este é perfeito e esquecendo de tornar perfeito o mundo em que vive!
Pensando bem, vou continuar morando em Corupá, um local lindo, privilegiado pela natureza e abençoado por DEUS, tem fofoca, brigas, intrigas, mulheres bonitas, homens cafajestes e também bonitos, muita gente honesta e alguns velhacos mas ainda assim é o local que escolhi para morar. Minha amiga cigana ainda procura o local ideal quem sabe um dia ela conheça Corupá e se apaixone por este paraíso que não é o FACEBOOK mas é real e extremamente apaixonante!
sábado, 4 de maio de 2013
Princesa Desalento
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sábado, 27 de abril de 2013
Sucata e purpurina
Afastada do movimento social e da atividade profissional há algum tempo, por vezes me deparo com a ‘real realidade’ que vivem os serviços de saúde especializados em DST/aids, as pessoas soropositivas ou doentes de aids e o movimento social de luta e prevenção à aids.
Como esperado, o governo municipal fala que está investindo em prevenção primária, descentralizando a testagem anti-HIV para as unidades básicas de saúde preconizando “o apoio matricial como dispositivo de intervenção junto à atenção básica, pautado pela noção de território, intersetorialidade, integralidade, considerando o trabalho organizado pelo princípio de responsabilidade compartilhada entre a equipe de referência e serviços especializados, e o estabelecimento da continuidade na atenção em saúde...” mas, na prática é isso que acontece? O governo estadual compartilha desta filosofia adotando a responsabilidade compartilhada, em especial aqui em Porto Alegre, onde acabam desembocando pacientes de todos os rincões do Estado?
Há muito me preocupo com a assistência prestada, de que adianta saber a sorologia se você não terá garantia de um atendimento mínimo? O diagnóstico precoce, ao invés de servir para antecipar os agravos na saúde dos que vivem com HIV, surge como mais uma problemática, ao se considerar os danos psíquicos que a falta do acompanhamento irá trazer.
Os postos de saúde gerenciados pelo município, seguem encaminhando os pacientes com aids para os serviços especializados que estão cada vez mais, superlotados e sucateados – fico horrorizada ao pensar nos homens e mulheres que dependem unicamente do SUS para monitorar a sua saúde e controlar a infecção pelo HIV. Os profissionais lotados nos serviços básicos, simplesmente ‘transferem’ os pacientes: o problema deixa de ser deles, passando a um outro nível que se encontra saturado pela ausência de investimentos.
O governo estadual, que deveria atuar na capacitação, deixa os profissionais de saúde que atuam na área, por sua conta e risco: ao se deparar com os pacientes encaminhados pelos serviços básicos, que não fazem o seu serviço, precisam se contorcer para evitar que tudo fique ao “Deus dará”; para amenizar, presta uma assistência meia-boca à população, já que essa não é sua função...
Não ouço falar de ações do movimento social para denunciar o descaso dos governos, os ‘ativistas’ encontram-se acomodados e confortáveis em seus postos de representação e não estão preocupados em buscar formas alternativas de enfrentamento para velhas e novas infecções.
Eu tenho formação em saúde comunitária, os princípios do matriciamento são os preconizados na Lei 8080/90, que regulamenta o SUS e que traz no seu artigo 1º: “os serviços de saúde devem assegurar acesso para a promoção, proteção e recuperação da saúde” – tríade indispensável para o bom funcionamento do sistema.
Os astros e estrelas, dos diferentes setores, reúnem-se em inúmeros seminários e encontros que objetivam, na teoria, elucidar as questões referentes à epidemia; na prática, se efetiva como um espaço de gasto exacerbado do dinheiro público e espaços de exibicionismo individual – as pessoas que vivem com aids são um mal necessário e, totalmente secundárias ao processo. Me refiro aqui, não àquelas e àqueles que fazem de conta que representam o movimento social mas, à população, que vai ao serviço buscar atendimento e não encontra resolutividade para a sua demanda, qualquer que seja.
Em que momento ocorrerão mudanças que impactem na vida da população?
Desacredito de que os atores responsáveis, tomarão as rédeas daquilo que lhes compete.
E as pessoas atingidas pela aids? Cada um por si e salve-se quem puder!!
Celia Ruthes
Abril/2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
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