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sábado, 4 de agosto de 2012

Nunca mais

Nunca mais
Minha vida tem me escorrido

Dentre os dedos,

Desde que você deixou de estar
Em meus dias...
E nas minhas gavetas,
Dispus minhas lembranças,
Ao lado do seu retrato,
Bem escondido de mim.
Só agora me dei conta que não estás...
E se algum dia tive esperanças,
Agora sei que não voltarás...
Nunca mais...
Acabou.
Fim


Odete R. Baltazar

Pedaços de mim

Pedaços de mim
Preciso juntar os pedaços de mim
Minha alma se quebrou, como se fosse um cristal
O cristal pode ser colado?
A alma também não...
Mas se quisermos podemos sim tentar
Recuperar a alma
Indo lá no fundo, buscar e compreender
O motivo de ter se quebrado
E começarmos a colar todos os pedaços
A peneirar os pensamentos
Buscando a razão e tentando junto com o coração
Entender e perdoar...
Entender porque tudo que se faz
Ou que se fala Tem um motivo
Perdoar, porque o mais nobre e verdadeiro sentimento
Nos ensina isso
Quem nessa vida não errou, magoou, mentiu, feriu, traiu?
Quem?...
E é esse o motivo que me leva a juntar os pedaços de mim
Onde em cada pedaço existe também
Um pedaço de você
Pedaços do teu carinho, da tua palavra
Do teu toque, do teu beijo
Da tua mentira, da tua solidão
Da tua Dor, da tua Alegria
De você num todo
E juntando esses pedaços
De mim e de você
Será formado um pedaço de nós
Porque valeu e ainda vale a pena
Ao juntarmos esses pedaços
Juntamos as nossas almas
Nancy Cobo

Tortura

Tortura 

Tirar dentro do peito a Emoção,

A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!... 
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento... 
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto! 
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! 
Florbela Espanca

Descoberta

Descoberta 

 Mundo, mundo, qual imenso caminho 

se estende atrás / à frente de mim 
que lanterna luminosa me guia 
que ninfa, que fauno me fez assim? 
 Sedenta de tantas linhas escritas 
Sedenta do contorno de um verso 
POESIA, contornando todo meu sim. 
 Mundo vasto, qual caminho imenso 
vou eu devastando com meu ancinho, 
com minha pena de tinta azul. 
Pena que desliza pelo meu Norte 
Os caminhos vastos / longe do Sul. 
 Que em mim emitem frutíferos raios 
que sendo brilho são luz / são POESIA 
que me reflete / eis meu sangue azul. 
Sou rei / sou rainha deste reinado 
POESIA / meu mundo, meu vasto caminho 
Caminho que como todo poeta / Vou 
palmilhando, devastando / sozinha. 
 Regina Souza Vieira

Amo

Amo
Amo seus olhos
Que sabem contar
Das doces histórias
Dos sonhos de amor
E a bela poesia de um simples olhar
 Amo a alegria
Que em seu sorriso encontro
Amo com carinho, nosso desencontro
Quando eu choro e você ri
 Amo sua alma
Que de tão pura e calma
Pode-se comparar
À ternura prateada do luar
 Amo seus lábios
Amo você
Amo-o por tudo o que diz
Amo-o e por isso ... sou feliz!
Priscila de Loureiro Coelho

Sonhos

Sonhos

cadê meus sonhos 

bebi em apenas um gole a bebida amarga 
atordoada, debrucei-me na janela 
vendo as forças se esvaírem de meu corpo 
vi minh'alma levitar.. 
minha mente ficou obscura 
caiu os véus.. despertei 
sonhos.. 
cadê meus sonhos.. 
eram sonhos sem magia 
de uma alma atormentada por si mesma...

Elisbeth Vasques 

Desencanto

Desencanto

Desencanto de quem muito sonhou

castelos encantados criou
em promessas acreditou
e de sonhos refém se tornou

Desencanto de quem ficou a sonhar

vendo dia após dia o tempo passar
esperando um amor chegar

Desencanto de quem quis tornar real o irreal

de quem ousou acreditar que 
poderia com o amor mundo mudar

Depois do desencanto

nada mais será como antes...
Por que fui acreditar?
Por que me deixei enganar?...
Depois do desencanto
não há como te reinventar

Tahyane